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"STYLE DIARY" COM LEGENDA: DESABAFOS II


As marcas que hoje me fizeram levantar o astral: Top salsa, saia Primark, ténis DKODE, mala Furla, anéis Feira de Artesanato, pulseira Parfois, duo vernizes Yves Saint Laurent


Este post hoje tem uma legenda diferente do habitual. Não dou só voz às marcas de moda que nos conseguem elevar o astral no dia-a-dia quando nos levantamos da cama para encararmos mais uma luta por aquilo que merecemos. Hoje faço uma legenda não só ao que visto, mas também ao que sinto: revolta, injustiça. 

Gostava de acreditar que depois da manifestação de hoje, o povo português, e falo em nome dos mais jovens, pode acreditar que existe esperança para um futuro (a curto prazo) mais risonho. Já perdi a conta há quantos anos falamos em "crise" no nosso país, mas neste momento grito com todos "basta". 

Gostava de ter coragem de emigrar, como muitos amigos já o fizeram, porque, por exemplo, desde 2008 que a Empresa privada onde trabalho não reconhece uma licenciatura. Não reconhece uma especialização. Não reconhece um mestrado... não reconhece a vontade de quem quer trabalhar mais e melhor e não sabe aproveitar corretamente as competências específicas que (ainda), e no meu caso, vou tendo vontade de partilhar. Não reconhece a vontade de construir um futuro (faltar-me-ão mais rugas, com certeza). Reconhece, antes, com um ordenado pouco mais do que o ordenado mínimo nacional e com expectativas e respostas ausentes e demoradas. 

Felizmente toda a minha angústia profissional pós-académica deu-me motivação para criar em 2009 este blogue - uma marca minha, que me livrará certamente das cadeiras de psicólogos e psiquiatras.  No meu dia-a-dia respiro fundo e podia lembrar-me mais vezes de dizer "relax and blog about it..." ;)

Aos 26 anos não tenho perspectivas de me tornar independente dos meus pais tão depressa. Não tenho poder para pedir um empréstimo para uma casa minha. Consegui um empréstimo para um carro com uma  valente cunha. Não tenho perspectivas de construir uma família como já vou tendo vontade. Estudei, estudei, estudei... e quero trabalhar - melhor - porque a Empresa onde estou tem capacidades para me dar outros caminhos. Mas...a "crise" não permite mudar estatutos. A "crise" não  permite arriscar, não permite incentivar, não permite evoluir. 

Hoje revolto-me pela minha situação, mas também pelas condições de outras pessoas. Sei que mais jovens licenciados/pós-graduados/especializados/mestres numa área não vêm reconhecidas as suas competências e a sua vontade. Os orgãos políticos estão repletos de pensamentos vigaristas, sim, e depois temos as hierarquias de diversas empresas a aproveitarem-se da conjuntura para tapar os olhos, ouvidos e bocas (eu e outros amigos ouvimos falar em "crise" desde que nos licenciámos em 2008). Até quando? 

Porque todos os que foram à manifestação de hoje lutam por mais esperança no futuro e por justiça, e todos têm a sua "situação" - muitas delas muito, muito, muito piores do que a minha, reconheço naturalmente... mas neste espaço só posso falar por mim. Gostava, no entanto, de ter uma voz, neste meio fashionista, para fazer chegar mais uma opinião sincera, humilde e revoltada. Sou mais uma jovem vítima dos sonhos, da vontade de crescer, da vontade de vingar competências e sorrisos. 



20 comentários

Salto Alto disse...

Muito bem dito Marta. Concordo em tudo o que disseste!

Imperfect Mind disse...

Grande texto sim!
Eu sou uma das jovens que estou preocupada com o meu futuro
Vejo que a área da minha paixão está em decadência neste país, mas não consigo mudar, não consigo escolher outra porque a minha paixão mesmo é seguir esta área.
Provavelmente vou ficar anos até ter o meu 1º emprego, se o conseguir!
Se pudesse mandar por um dia mudava tanta coisa...
Porque é que os grandes administradores levam milhões de euros do país e nós é que os temos de pagar?
Injustiça...

http://imperfectm.blogspot.pt/

Teresa Celestino disse...

Gostei Martinha,
bjs

M. disse...

Gostei Marta. Podias falar assim mais vezes.

Mia Relógio disse...

Gostei muito das tuas palavras, uma realidade cruel. beijo <3

Ana disse...

Foi um desabafo muito realista, Marta. Eu até sinto uma outra coisa: hoje em dia, já não se pode escolher um curso por se gostar dele; tem de se escolher um curso que tenha (alguma) saída profissional. Tive o azar de ter escolhido como primeiro curso um de que não gostei e em que me dei muito mal. Agora estou no curso que quero e de que gosto mas que vem também com a famosa questão: o que será de mim quando estiver licenciada? Só com a licenciatura não sou nada e tenho obrigatoriamente de fazer um mestrado para me especializar numa das áreas que o meu curso oferece. Com o dinheiro que entra cá em casa, será difícil pagar, em dois anos, uns dez mil euros para ter aulas duas vezes por semana, pelo que, provavelmente, terei de ir trabalhar para o pagar. Não sei o que será de mim depois disso mas sei que muito dificilmente cá ficarei, infelizmente.
E tenho medo, muito muito medo do futuro que está para vir...

MintJulep disse...

Olha Marta, gosto sempre muito de te ler, e admiro a tua perseverança desde que descobri o teu blog, mas eu licenciei-me em 1996, pós graduei-me em 2000 e a única vez que ganhei acima do salário minimo foi quando dei aulas de Inglês - que nada tem a ver com a minha formação. Desde que fui á procura do primeiro estágio em 96 que ando a ouvir falar da crise, várias empresas onde trabalhei faliram e fiquei com n salarios em atraso. Estou desempregada há mais de um ano e sem perspectivas de arranjar trabalho, nunca os meus esforços foram reconhecidos - talvez seja eu que seja incompetente, not good enough, aceito - e ainda recebo chamadas de empresas de TT a dizerem-me que não vão considerar a minha candidatura pois tenho quase 40 anos. Tinha 35 quando finalmente comprei casa, quase 36 quando finalmente tive a coragem de arriscar tudo e ser mãe, e o meu filho vai ter de ser filho único. Preocupa-me o futuro dele e o dos jovens, mas preocupa-me mais o meu, que como mulher de 40 anos fui posta de parte pelo mercado de trabalho como se de uma morta se tratasse, e na verdade é isso que sinto: que para a sociedade em geral eu morri. E se mantenho o meu blog é também para ver se me animo. Força, Marta, acho que és uma pessoa talentosa e de valor e acredito que vais ter frutos por isso.**
http://fashionfauxpas-mintjulep.blogspot.com

Fiona disse...

Um fantástico texto, Marta. Carregado de cruas verdades e que, cada vez, pautam a realidade de nós, jovens portugueses. É triste que não possamos ter sonhos como outras gerações tiveram apenas porque não conseguimos alcançar a independência de que tanto necessitamos para isso. É triste ver que estudamos tantos anos e não possamos ver fruto de todas essas pestanas queimadas frente aos livros. Mas ainda existe pessoas como tu, com vontade de ir mais além, e que ajudam outros a não perder o fio condutor no dia-a-dia. Porque, parecendo que não, é bom ouvir estes testemunhos na primeira pessoa. Agora só espero que o dia de ontem possa realmente fazer história e permitir que hajam mudanças de monta em Portugal para que possa existir um futuro para todos.

(vou partilhar o teu texto no meu blog. Porque palavras assim merecem ser lidas! espero que não te importes :))

Silvana Querido disse...

(suspiro) (ponto de exclamação x 1000) (suspiro)

Fabiana Pereira disse...

Olá, obrigada por comentares o meu ainda "pequenino blog" :) , essas mala da furla deixam-me derretida, complementam um look de um forma tão "mimosa" gosto mesmo. Vou seguir, se quiseres seguir-me teria todo o prazer, um beijinho,
http://www.myssbi.blogspot.com

amberhella disse...

É uma vergonha e uma tristeza enorme ver que estamos a perder tanta gente nossa que parte pq aqui não tem emprego ou qualidade de vida. Antes ter 26 anos era mm sinal de independência...hoje...é quase como ter 16. Quem não tem os pais que ajudem está mesmo muito mal.. *

Sofia Araújo disse...

Muito bem dito! Concordo com tudo o que disseste. Acho que em algumas empresas com a desculpa da crise tentam desvalorizar o nosso trabalho e competências e pagar bem menos do que pagam a pessoas com poucas habilitações académicas... And so on...

http://malasesapatitos.blogspot.pt/

Gata disse...

Força!!! És muito jovem e tenho a certeza de que, com a tua garra, vais conseguir chegar onde quiseres! Mas que os tempos estão difíceis, estão...
Beijinhos

sandra disse...

Não poderias ter expressado melhor o sentes e revejo-me em cada parágrafo que escreves-te até em relação ao carro! E é triste, muito triste.

fairystyle disse...

Oh Marta, como eu assino por baixo tudo aquilo que dizes. Estamos mesmo a passar por momentos históricos, temos tanta de fazer tanta coisa, estudamos para isso, não nos falta coragem de enfrentar os desafios...mas se nos são cortadas as pernas...como podemos seguir esses planos/sonhos.
Ao contrário de ti, estou quase a levantar voo para um local diferente: tentar a minha sorte, só assim posso saber se é melhor ou pior. Mas pelo menos vou ter tentado. Tal como tu, também criei o meu blogue para libertar dos monstros que vão teimando em bater à porta.
Força Martinha e obrigada pela tua Marca, faz toda a diferença!

Beijinhos***

Pocket of Sunshine disse...

Compreendo completamente a tua situação. Força!

Beijinhos

Filipa Moreno disse...

That's it. Andamos todos assim. Já vi amigos partir para o estrangeiro, vejo outros tantos a considerar fazer o mesmo. Desisti de muitos sonhos e dediquei-me a uma formação que apenas me completa parcialmente em nome da possibilidade de um emprego e de um futuro que provavelmente não vou ter. Vou tentando fazer o que gosto nos tempos livres, investindo muito de mim e sem ter nada em troca. Vou-me distraindo com o meu blog e com o trabalho tão pouco reconhecido de jovens artistas e pessoas dedicadas como tu. Vou tentando não pensar no estado do mundo. Vou tentando não pensar que o mais provável é nunca ter casa própria e que, no dia em que fizer 30 anos e quiser ter um filho o mais provável é não conseguir fazê-lo sem pedir ajuda aos meus pais.
Este país está uma tristeza, o mundo não está muito melhor. E custa-me imenso pensar que a minha geração não vai ter um futuro digno... a verdade é que os nossos pais estão cá para nos ajudar, por agora... mas, quem vai ajudar os nossos filhos?...
Estamos todos juntos nisto e espero que sejamos inteligentes o suficiente para tirar o país desta embrulhada.
Obrigada por partilhares o teu desabafo, falas alto por tantos de nós.

Beijinhos, Pi

http://theperfumerecipe.blogspot.pt/

Adelaide disse...

Completamente de acordo com o teu texto! Cada vez mais penso em emigrar... Beijinhos

Jo, the carrot disse...

eu fui pela primeira vez a uma manifestação e saí de lá com consciencia aliviada mas cabisbaixa. não me lembro de algum dia ter vivido sem ser sob o signo da crise...

Neuza Mariano disse...

deixa que te diga que aprecio muito a tua forma de escrever.

Adorei o look, bem fresco =)