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EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA DO COLECTIVO LUMEN


“A solidão desola-me; a companhia oprime-me” (in “Livro do Desassossego” de Bernardo Soares/Fernando Pessoa). Fotografar pode ser, e é muitas vezes, uma experiência solitária.

Se a câmara se constitui, em alguma circunstâncias, como uma espécie de refúgio social – um afastamento do “inferno que são os outros”, como dizia Sartre – ela não deixa de ser apenas um refúgio temporário.

As imagens têm essa desassossegante capacidade de funcionar como um espelho: usamo-las para reflectir e descobrimo-nos, frequentemente, reflectidos.

Importa, portanto, saber se queremos entregar-nos a esse resultado…se estamos prontos a ser expostos perante os outros e as suas convenções. Ou se, como encontramos no mesmo texto de Bernardo Soares/Fernando Pessoa, ”A presença do outro de outra pessoa descaminha-me os pensamentos ”…

Fotografamos afinal para estarmos sós ou, precisamente, para escapar à solidão?

Haverá uma experiência da solidão, através da imagem fotográfica, que nos permita evitar esse isolamento de pedra das estátuas?, ou de podermos olhar para uma fotografia sem que, como o homem no quadro de Magritte, vejamos lá reflectidas as nossas próprias costas?

Cada um de nós abordou estas questões à sua maneira.

Quer o tenhamos feito de uma forma mais ou menos irónica, mais ou menos leve, mais ou menos desolada, é comum a todas as imagens a noção da presença de um outro (seja o fotografado, o que fotografa ou que se reflecte) … e ainda que a sua presença apareça como resultado de “uma distracção especial que toda a minha atenção analítica não consegue definir” (in “Livro do Desassossego” de Bernardo Soares/Fernando Pessoa)"


de 7 a 31 de Julho



2ª a 6ª - 10h às 19h
Sábado - 10h às 18h

Av. da República 41, Piso 2















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